Comecei o ano desempregado, mas com o propósito de mudar minha vida. Assim, com o dinheiro da rescisão (ou o que sobrou dela), abri uma pastelaria. O nome escolhido no facebook foi “Bambino’s pastéis”, por causa de um apelido que eu tinha na Colônia de Férias Comunitária. Mas como tudo que é bom dura pouco, o projeto “Morar Carioca” chegou à comunidade e o inquilino da loja que tinha se tornado o point das férias, pediu a loja.
Com tempo disponível mais uma vez, comecei a arquitetar um novo plano para não ficar “parado na esquina”. Então, eu e um grupo de amigos resolvemos formar uma equipe para realização de evento na comunidade e com isso fizemos a primeira festa para a juventude depois do processo de pacificação. Depois da “Larga tudo e vem pra cá – A Festa”, surgiu uma idéia que, num futuro bem próximo, mudaria a rota da minha vida para sempre.
Um dia vi um banner que colocaram em frente à entrada do CETEP Chapéu Mangueira e nele tinha a imagem de um garoto pulando escrito “Agencia de Redes para juventude”. Na frente deste banner tinha uns caras estranhos distribuindo panfletos. Fui até eles por curiosidade e perguntei o que era aquilo. Eles me disseram coisas que não estava habituado a ouvir nos projetos e que envolvia ação no território e colocar idéias em prática. Mas nada do que ele estava falando entrava nos meus ouvidos direito. Até que ele falou uma coisa muito interessante para aquele momento: “você faz o curso e ganha cem reais de bolsa”. E foi esta ultima frase que fez eu me interessar naquele projeto.
No inicio, tudo era meio estranho, mas os assuntos eram interessantes. Me fazia enxergar tudo de outra forma, eles falavam muito sobre colocar o desejo em prática e destacavam problemas que nunca havia reparado na comunidade. Foi aí que a lâmpada da idéia acendeu e eu vi que podia dar minha contribuição. Nesse dia surgiu a MANEH na minha cabeça. Mas o período de sonhar estava acabando e eu precisava de dinheiro para mandar para os meus dois filhos. Assim, pedindo ajuda, os amigos que eu fiz na agência de redes arrumaram varias formas de eu ganhar “um qualquer”.
Foi assim que conheci o Diego Santos. Achei estranho aquele cara vir falar comigo no facebook e pedir meu telefone, mas algo me dizia que algo bom estava por vir. Ele me disse que trabalhava em um blog de jovens correspondentes onde eu poderia escrever sobre minha comunidade. Neste momento eu já amava tanto o lugar onde eu morava que passou um vídeo com milhões de idéias na minha cabeça. E desde então eu passo todas as semanas procurando assuntos para escrever sobre onde eu moro e para onde eu moro.



















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Gostei desse !